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Os áudios de Arthur do Val e o jogo infame da política



Quando soube dos áudios de Arthur do Val e os ouvi, pensei em escrever um texto sobre o que poderíamos aprender com essa situação – porque de toda situação se pode extrair pelo menos um ensinamento. Para me inteirar melhor do assunto, então, vi alguns vídeos no YouTube sobre o que aconteceu, mas logo desisti da ideia.


Os comentários nos vídeos eram tão odientos, e havia tanta maldade em tudo, que me enojei do tema e decidi largar mão de vez de todo conteúdo sobre política na internet e fora dela. Se eu já consumia pouco material sobre isso, agora consumirei menos ainda – e mais feliz.


Como já disse alguém: quando saber custa mais caro do que não saber, é racional ser ignorante. Em outros termos, quando o custo de se instruir sobre um assunto é maior do que qualquer benefício que dele se possa obter, então é racional continuar não sabendo. E esse é claramente o caso no que diz respeito a política.


Quanto aos áudios, creio que o indivíduo que os vazou é pior ainda. Porque ter uma diarreia já é ruim, mas espalhar a diarreia alheia mundo afora é certamente muito pior!


Originalmente o texto seria sobre isso, sobre esse assunto pífio e nem um pouco edificante, mas resolvi transmutar o tema no que vem a seguir, que serão talvez minhas últimas palavras sobre política e nas quais quero compartilhar uma conclusão a que cheguei.


O governo nada mais é do que um jogo – o jogo mais sujo e mais infame que há no mundo. Porém, existem alguns seres que se encontram num estágio tão baixo de consciência que adoram esse jogo: são os políticos. A única alegria de um político consiste em estar no poder, em governar e escravizar as outras pessoas.[1]

Eu estudei o bastante para entender que é uma estupidez inteirar-se da política e crer que qualquer militância mudará algo – porque o problema do homem não é a sua forma de se organizar, mas sim a sua forma de pensar, da qual aquela deriva. Esforços de cima para baixo tendem a trocar as peças do tabuleiro, mas não a mudar o jogo. O jogo só se muda em se mudando o homem. Por isso que a ascensão do desenvolvimento pessoal contribui mais para a evolução da humanidade do que qualquer movimento político que já existiu. Enquanto o homem estiver no nível de consciência em que se encontra, ele conseguirá apenas mover os atores – dentro do mesmo teatro.


O livro O Poder da Autorresponsabilidade, de Paulo Vieira, que conclama as pessoas a assumirem a responsabilidade por suas próprias vidas, fez mais pelo País do que qualquer lei já escrita. Isso porque a liberdade pressupõe a responsabilidade, e do seio de um povo irresponsável só se produzirão leis que consolam e aprofundam ainda mais sua relação de dependência com o Estado – ou seja, a sua condição de escravos.


Todo político é, na pior hipótese, um psicopata megalomaníaco e, na melhor, um idiota vaidoso.


Ano após ano o povo se decepciona com um político diferente mas continua depositando suas esperanças no babaca seguinte, como um asno a correr atrás da cenoura presa à cabeça, como uma mosca batendo a cara na luz de novo e de novo e esperando um resultado totalmente inédito. Até quando você continuará depositando esperança em partidos e políticos? Aqueles que se decepcionaram com Arthur do Val simplesmente foram burros de terem acreditado nele em primeiro lugar.


Nosso erro não é nos envolver pouco na política, mas permitir que haja qualquer política que nos envolva! Enquanto o ser humano acreditar que precisa de estranhos conduzindo sua vida, que sem esses estranhos não haverá lei nem ordem, e que sem eles o caminhão de lixo não passará nas ruas, então assim será indefinidamente – a escravidão moderna se estenderá entre gerações, e a chamarão falsamente de capitalismo. Mas eu digo a você: se vivêssemos sob um modelo puro de capitalismo, baseado unicamente em trocas voluntárias, estaríamos muito bem!


Murray Rothbard, no livro Homem, Economia e Estado, já provou por A mais B que uma sociedade baseada unicamente em relações consentidas, isentas de agressão, é não só possível como economicamente superior a qualquer outro modelo. O ser humano escolhe a violência porque quer; porque anda na escuridão. Isso só mudaria com uma mudança geral de consciência, onde uma massa crítica deixasse de admitir que as relações socioeconômicas se processassem de outro modo que não sob o princípio da propriedade privada. E a única forma de atingirmos esse resultado é transformando o ser humano, elevando o seu grau de consciência, através de trabalhos como os de Paulo Vieira e homens devotados ao desenvolvimento espiritual da humanidade.


Até lá, infelizmente continuaremos a assistir a esse espetáculo terrível do poder, onde o diabo dança e se diverte, onde a mentira faz triunfar, onde a guerra estoura, e que o próprio povo alimenta com suas esperanças vãs e um olhar bestial.

[1] Osho, Vivendo perigosamente.

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