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“Fracassei com as mulheres, então estou investindo na literatura”

Atualizado: 15 de mai. de 2021



Um grande amigo meu, por estar imerso no mundo literário, vem a saber de concursos e seleções de textos para serem premiados e escolhidos. E, como ele conhece o meu gosto por esse tipo de coisa, mandou-me as informações pelas quais eu me inscreveria em uma dada seleção. A ele se deu parecer positivo; a mim, a participação foi negada.


Ao compartilhar com ele essa decisão editorial, e dizendo-lhe que meu consolo tenho encontrado na vida afetiva, falou-me o seguinte: “Já eu estou como Kafka: fracassei com as mulheres, então estou investindo na literatura”.


Algumas coisas me chamaram a atenção nessa frase. Primeiro: o que leva alguém a fracassar com as mulheres? Segundo: qual é a diferença de procedimento entre buscar ser bem-sucedido com as mulheres e o buscar sê-lo na literatura?


Considero que todo homem que se diga fracassado com as mulheres tenha um único problema: uma autoimagem desfavorecida. O clássico “as mulheres gostam mesmo é de dinheiro” é um mito, haja vista que em nenhum manual de sedução do mundo, sejam os conselhos de Ovídio, escritos há mais de dois mil anos na Roma antiga, sejam os cursos modernos de arte venusiana, menciona isso como um pressuposto necessário da conquista, além do que a experiência prática (donde surgem os manuais, em primeiro lugar) nos mostra exemplos de grandes conquistadores de todas as classes sociais. Ter dinheiro de fato contribui, mas não é o fator crucial.


Também não o é a beleza, um elemento ainda menos considerado para os conquistadores profissionais. Basta que se tenha algum brio e se tragam os pelos bem aparados – ou seja: que não se pareça um mendigo. Eu mesmo conheci um homem que era feio e pobre, e contudo amado pelas mulheres.


O único fator relevante aqui é a autoimagem: a ideia que o indivíduo faz de si mesmo.¹ Um sujeito com uma autoimagem saudável, que vê, portanto, valor em si mesmo, transmite essa impressão para as pessoas, e ao lado dele as mulheres se sentem seguras e confiantes. Esse mesmo homem não terá pejo em se aproximar de uma mulher, puxar assunto e convidá-la para sair. Também não transmitirá uma odiosa energia de carência, que repele o mulherio, porque conhece o seu valor e sabe que sobejam parceiras em potencial. Por isso, é trabalhando a sua autoimagem que você se torna mais atraente e sedutor.


O conjunto da sua autoimagem envolve três categorias de crenças: as crenças de identidade (quem eu sou), as crenças de capacidade (o que eu posso) e as crenças de merecimento (o que eu mereço ter e o quanto eu valho). As três categorias precisam ser trabalhadas estrategicamente para que você corrija uma programação antiga que o esteja sabotando e instale uma nova programação de sucesso, de acordo com os seus interesses. Fazer um processo completo de coaching, com dez sessões, é a forma mais rápida e segura de promover essa autotransformação, já que você estará sendo orientado por alguém que já passou pelo processo e que estará aplicando uma metodologia amplamente testada e atualizada.


Agora, a segunda questão: qual a diferença entre buscar ser bem-sucedido com as mulheres e buscar sê-lo na literatura?


Para que você seja bem-sucedido na literatura, assim como em qualquer outra arte, você precisa, antes de tudo, ou ter talento ou fabricá-lo. Diz-se que Horácio não era talentoso, então se esmerou na forma dos seus poemas e nisso tornou-se referência. Do mesmo modo, para obter sucesso com as mulheres você precisa treinar certas habilidades, tais como a aproximação e a conversa. Para se ter sucesso na literatura, muitas vezes é necessário ter uma boa rede de contatos, e assim também é na arte venusiana, porque será através de seus contatos que você conhecerá novas mulheres e se tornará conhecido. Na literatura, você fracassará, sendo rejeitado por editoras, revistas e escrevendo às vezes textos de baixa qualidade. Na arte da conquista, você também fracassará em certas situações em que fará ou dirá alguma coisa inadequada para o seu propósito, especialmente quando estiver no início e ainda existir uma preocupação com a validação feminina.


Talvez pudéssemos fazer outros paralelos entre esses dois mundos, mas existe uma diferença crucial que torna o sucesso na literatura muito mais desafiador: para ser bem-sucedido com as mulheres, você precisa ser do agrado de algumas pessoas, ao passo que para sê-lo na literatura, você precisa agradar pelo menos alguns milhares delas. No trato para com as mulheres, se você for um bom homem, com uma boa conversa e bem cuidada aparência, você já se tornará atraente; já no mundo da literatura, ainda que você seja um bom escritor, isso não garantirá nem o começo do seu sucesso. Até mesmo se você for genial, a hipermetropia dos contemporâneos os impedirá de ver a sua grandeza, como sói acontecer, e eles louvarão os escritores da moda. Além disso, o sucesso na vida afetiva satisfaz a vaidade e o desejo, ao passo que o sucesso na arte apenas à vaidade satisfaz.


Quanto a mim, invisto na vida intelectual há mais de dez anos, e pouco reconhecimento logrei até hoje, mesmo tendo vocação. Com as mulheres obtive sucesso em tempo muito menor, e nisso comecei a investir não somente desprovido de qualquer talento, como carregando o peso de uma fobia social que me travava. No primeiro caso, tendo um corpo belo e atlético, mal consigo andar; no segundo, ainda que sendo aleijado, fiz-me corredor.


Donde concluo que vale mais a pena investir na vida afetiva do que na intelectual.



¹ Tendo reconsiderado essa afirmação, concluí que há outro fator tão importante quanto a imagem que se tem de si: é a imagem que se faz das mulheres e as crenças sobre relacionamento. Falarei sobre isso em um post futuro.

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