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Dando o Tom do Blog

Atualizado: 30 de dez. de 2020



Quando eu estava criando o site jmtheodoro.com, atentei que viria muito a calhar manter escritos regulares na forma de um blog, pelo que eu proveria os visitantes de bons conteúdos e regalaria meu próprio gosto fazendo uma das coisas que eu mais amo, que é escrever. Contudo, um dos mandamentos para aqueles que criam conteúdo na internet é – não sei se você sabe – a regularidade, de modo que eu teria de postar um texto por semana, pelo menos. Embora eu pudesse, sim, escolher postar um texto por quinzena ou por mês, alongando assim de muito o tempo disponível para elaborá-lo, a própria amarra da obrigatoriedade bastante me desgosta. Eu poderia fazê-lo? Poderia, mas a regularidade que mantenho no YouTube, onde publico toda segunda-feira, já me é suficiente.


Não me imponho nada que venha a reduzir minha qualidade de vida, a não ser que seja necessário; e, se é necessário, isso significa que é condição para um aumento da qualidade de vida de algum modo, não é?


Pensei em usar como desculpa dizer que os artistas são assim mesmo, que só gostam de produzir quando sentem vontade ou quando vem a inspiração, mas isso seria uma inverdade, pelo menos no que respeita a artistas profissionais. Mozart compôs o Requiem por encomenda, assim como muitas outras de suas melhores obras. Bach manteve por alguns anos um contrato com a igreja luterana de São Tomás, em Leipzig, pelo qual se obrigava a executar todo domingo uma cantata nova de 20 minutos, sem que a obrigatoriedade da produção e o pouquíssimo tempo de que dispunha para criá-las fizessem suas obras decaírem em qualidade. Há também na história da Literatura sobejos exemplos de grandes escritores que tinham de escrever para se sustentar. Um caso famoso é o de Dostoiévski, considerado um gigante da literatura universal, que se colocava a escrever para poder pagar dívidas de jogo. A Eneida de Virgílio foi escrita por encomenda do imperador Otávio Augusto, sobrinho de Júlio César. Morte e Vida Severina, único poema lírico de João Cabral de Melo Neto, que inclusive nem gostava muito desse tipo de poesia, também foi escrito por encomenda e se tornou seu trabalho mais famoso. Concluo por esses exemplos que os bons artistas não precisam de inspiração quando dominaram a sua arte e sabem fazer.


Assim, primeiro que seria soberba me declarar um artista, título que considero tão nobre quanto o de sacerdote, se não mais: porque o sacerdote é um servidor de Deus, ao passo que o artista é o Seu receptáculo. E segundo que, mesmo que eu me declarasse um artista, usar essa desculpa da necessidade de inspiração para criar seria me assumir inepto, o que também não seria verdade. Então, digo a você que rejeitei o compromisso de escrever periodicamente aqui porque eu adoro liberdade.


Outro mandamento sagrado entre os criadores de conteúdo para a internet é o uso de linguajar fácil e corriqueiro, muitas vezes com erros propositais, para que o leitor ou ouvinte se sinta mais identificado. A razão de ser desse mandamento está em que a maior parte do público é muito ignorante e não gosta de consumir materiais “difíceis” e “profundos” demais. Além disso, não encontra identificação com aquilo que é nobre e elevado. É por isso que, quanto mais idiota é o conteúdo, mais views ele tende a ter.


A propósito, isso não significa que aqueles que consomem óperas e alta literatura também não consumam um pouco de bobagem de vez em quando. O que acontece é que aqueles que entendem Nietzsche também entendem Felipe Neto, mas nem todos que entendem Felipe Neto entendem Nietzsche. Em outras palavras, aqueles que estão em cima podem descer, mas aqueles que estão em baixo não podem subir, a não ser com grande esforço. Um conteúdo, portanto, que se queira famoso e popular deve agradar sobretudo àqueles que se encontram nos primeiros pisos do edifício social.


Esse é o segundo mandamento que eu vou desobedecer aqui. Foi no YouTube que decidi usar uma linguagem mais leve e coloquial. Neste Blog, embora eu tenha me restringido a falar apenas sobre o tema do Desenvolvimento Pessoal, resolvi fazê-lo conforme o estilo que mais me agrada, e reservar o linguajar coloquial para o YouTube e os Ebooks que eventualmente publicar.


Dessa maneira, o Blog será dedicado aos diversos temas do Desenvolvimento Pessoal e não adotará uma linguagem popular, se bem que dizer que o linguajar aqui empregado seja erudito também seria uma enorme pretensão. É mais uma questão de preferência pessoal: sucede que a maioria dos textos que encontro pela internet não dão gosto de ler, e eu tenho – agora sim – a pretensão de que meus textos não sejam apenas informativos, mas conduzam alguma experiência estética.


Se com isso não irei agradar à maioria do potencial público leitor, espero pelo menos criar algum valor para aqueles que vez por outra me honrarem com sua presença. De todo modo, estarei sempre no YouTube com conteúdos acessíveis e a máxima qualidade que eu puder oferecer.

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